Cremos e ensinamos

A Igreja Batista Histórica é uma igreja confessional, reformada. Sustentamos e promovemos a doutrina batista conforme declarada na Confissão de Fé Batista de 1689.

Confissão de Fé Batista de 1689 (2ª Confissão Londrina) Fonte: Comunhão reformada Batista no Brasil, 2005.

 

Na data de 23 de setembro de 2007, a Igreja Batista Histórica aprovou em assembléia, com unanimidade, a declaração abaixo sobre nossa subscrição à Confissão de Fé.

Declaração da Igreja Batista Histórica sobre a Subscrição à Confissão de Fé

Para fins de esclarecimento, os membros da Igreja Batista Histórica em Conselheiro Lafaiete declaram por meio deste documento o que se requer dos membros em relação à subscrição à Confissão de Fé, conforme a intenção original da Igreja, desde sua fundação, quando a Confissão de Fé foi adotada.

No estatuto desta igreja, consta o seguinte artigo:

Art. 3o – A Igreja reconhece a Bíblia Sagrada como sua única regra de fé e prática, aceitando como fiel interpretação das Sagradas Escrituras e comprometendo-se a sustentar e promover a doutrina Batista conforme declarada no documento denominado Confissão de Fé Batista de 1689, e aceita em caráter de emenda a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira de 1986. Em hipótese alguma a Igreja aceita o documento posterior como refutação do anterior, e em caso de conflito aparente prevalece a forma expressa no documento mais antigo.

A intenção da Igreja ao adotar duas confissões de fé foi de estabelecer a doutrina da igreja em cima da Confissão de Fé Batista de 1689 que é uma confissão batista histórica com a qual temos grande identificação, e ao mesmo tempo possibilitar, enquanto viável, comunhão formal com a Convenção Batista Brasileira que adota a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira de 1986.

Por essa razão, a igreja, tanto coletivamente como cada membro individualmente, se compromete a “sustentar e promover a doutrina Batista conforme declarada no documento denominado Confissão de Fé Batista de 1689”. Cabe esclarecer que tem sido o entendimento desta Igreja desde sua organização até o presente momento, que alguém poderá tornar-se membro da Igreja Batista Histórica em Conselheiro Lafaiete, e permanecer como tal, desde que creia substancialmente nas doutrinas de nossa Confissão de Fé, ainda que não integralmente.

Cremos que ninguém deve declarar que subscreve a uma confissão de fé a menos que concorde com seu conteúdo no seu sentido original. O exemplo de nossos pais Batistas nos ensina isso pelo fato de não terem adotado a Confissão de Westminster visto que discordavam dela em alguns particulares. Por isso eles elaboraram sua própria Confissão de Fé omitindo ou modificando os trechos da Confissão de Westminster aos quais tinham objeção. Assim eles zelaram por uma confissão que poderiam adotar plenamente e com transparência. Nossa prática deve ser a mesma. Podemos adotar a Confissão de Fé Batista de 1689 se de fato ela declara aquilo que cremos como um grupo.

Ainda assim, a adoção de uma Confissão de Fé por indivíduos que não subscrevem integralmente a ela não é incoerente nem antiético desde que o ponto (ou pontos) em particular que constituem uma dificuldade para o membro não seja de natureza essencial ao sistema da Confissão e que o membro declare francamente suas reservas em relação à linguagem empregada na Confissão, assim evitando confessar o que não crê.

Charles Hodge explica como esta questão tem sido resolvida historicamente entre comunidades confessionais Presbiterianas:

“Requer-se de cada ministro, em sua ordenação, que se comprometa a adotar a Confissão de Westminster e os Catecismos, como contendo o sistema de doutrina ensinado nas Sagradas Escrituras. Há três maneiras nas quais essas palavras têm sido, e ainda o são, interpretadas. Primeiramente, há quem as entenda no sentido em que cada proposição contida na Confissão de Fé está incluída na profissão feita no ato de ordenação. Em segundo lugar, há quem diga que as proposições significam justamente o que as palavras envolvem. O que é adotado é o ‘sistema de doutrina’. O sistema das Igrejas Reformadas é um esquema de doutrina conhecido e aceito. O terceiro ponto de vista sobre o tema consiste em que pelo sistema de doutrina contido na Confissão subentende-se as doutrinas essenciais do cristianismo e nada mais.” Charles Hodge, Confissão de Fé Westminster Comentada por A. A. Hodge, p. 567

Hodge, assim como esta Igreja, favorece a segunda das três posições que cita, indicando que uma pessoa pode ser parte de um corpo confessional desde que adote o sistema de doutrina apresentado na Confissão. Hodge rejeita a idéia de que subscrição plena e completa seja necessária para os membros de um corpo confessional. Ele diz:

“Tal regra de interpretação jamais pode na prática ser levada a cabo sem dividir a Igreja em incontáveis fragmentos. É impossível que um corpo de milhares de ministros e presbíteros pense uniformemente em todos os tópicos envolvidos numa fórmula de fé tão extensa e minuciosa.”

“Essa nunca foi a regra adotada em nossa Igreja. Indivíduos a têm defendido, mas a Igreja, como um corpo, jamais.” Charles Hodge, Confissão de Fé Westminster Comentada por A. A. Hodge, p. 568

Na tradição batista, Andrew Fuller reflete este mesmo parecer:

“Se uma comunidade religiosa concorda em declarar de forma específica alguns dos princípios mais importantes que consideram derivados da Palavra de Deus, e julgam a crença neles necessário para alguém se tornar ou permanecer membro de sua comunidade, não segue que estes princípios sejam compreendidos igualmente bem, ou que todos os irmãos precisam ter o mesmo grau de conhecimento, nem ainda que eles devam compreender e crer nada além desses princípios. A habilidade e capacidade de pessoas diferentes varia; um pode compreender mais da mesma verdade que outro, e pode ter seu entendimento enriquecido por uma grande variedade de idéias complementadoras; e ainda assim a substancia do que crêem pode permanecer o mesmo. O objetivo de artigos de fé é afastar aqueles que são inimigos confirmados dessa fé, não aqueles que são fracos na fé.”

Hodge igualmente rejeita a noção de que para fazer parte de um corpo confessional basta aceitar as doutrinas essenciais do cristianismo e nada mais:

“Asseverar uma pessoa que adota uma confissão calvinista quando rejeita os característicos distintivos do sistema calvinista, e recebe somente os princípios essenciais do cristianismo, é dizer o que não é verdadeiro no sentido legítimo e aceitável dos termos. Deve ser universalmente reconhecido como uma falsidade declarar um protestante ter adotado os cânones do Concílio de Trento, ou o catecismo romanista, quando sua intenção é que os recebeu só até ao ponto que faz parte da substância do Credo dos Apóstolos. Se a Igreja está preparada para fazer do Credo dos Apóstolos o padrão de comunhão ministerial, deixe a constituição ser alterada; não nos deixe, porém, adotar o vergonhoso princípio de nós mesmos professarmos, e exigir que outros professem, o que nós não cremos.” Charles Hodge, Confissão de Fé Westminster Comentada por A. A. Hodge, p.575

Em resumo, Hodge defende que conformidade com a Confissão de Fé seja nos seguintes termos:

“Não esperamos que nossos ministros adotem cada proposição contida em nossos Padrões. Tal coisa não se lhes requer que façam. Mas deles requer-se que adotem o sistema; e esse sistema consiste de certas doutrinas que nenhuma das quais pode ser omitida sem destruir sua identidade.” p. 570

Após lista extensa de quais são indispensáveis ele continua:

“As doutrinas concernentes ao culto e ao dia de repouso, concernentes aos votos e juramentos, do magistrado civil, do matrimônio, não contém nada peculiar ao nosso sistema, ou que seja matéria de controvérsia entre os presbiterianos. O mesmo é verdade no que tange aos ensinos da Confissão concernente à Igreja, à comunhão dos santos, aos sacramentos, ao estado futuro, à ressurreição dos mortos e ao juízo final.” Charles Hodge, Confissão de Fé Westminster Comentada por A. A. Hodge, p. 573

Neste entendimento, podemos adotar a Confissão de Fé Batista de 1689 como um grupo e ao mesmo tempo aceitar como membros na Igreja indivíduos que mantêm alguma ressalva com certas palavras da Confissão, mesmo enquanto adotam o seu sistema.

De fato, Hodge lida com a Confissão de Westminster e algumas das palavras daquela Confissão que ele admite não serem essenciais ao sistema não se encontram na Confissão de Fé Batista. É o caso dos trechos disputados e controversos sobre o magistrado civil, o matrimônio e os votos e juramentos. Há, entretanto, na Confissão de Fé Batista, as passagens que se referem ao culto e ao dia de repouso, à Igreja e à ressurreição dos mortos e ao juízo final que representam um entendimento que, historicamente, não encontra apoio pleno entre cristãos reformados.

A matéria sobre o anticristo no capítulo 26 declara uma perspectiva que, embora predominante quando a Confissão foi elaborada, tem sido questionada em gerações posteriores a ponto de atualmente encontrar pouco apoio entre os reformados. No entanto, essa mudança não tem constituído motivo de exclusão em comunidades que subscrevem às Confissões que assim se expressam de forma que aceitação de outro ponto de vista neste respeito é prática confirmada na tradição reformada.

O milenismo não encontra apoio na compreensão da volta de Cristo, da ressurreição dos mortos e do juízo final descrita na Confissão, mas a aceitação de milenistas tem um longo histórico em grupos que adotam essa Confissão, bem como a Confissão de Fé de Westminster e a Confissão de Savoy, onde encontramos a mesma linguagem. Citamos os nomes de John Gill, Robert Murray McCheyne, James Montgomery Boice e Francis Schaeffer como alguns exemplos. Por essa causa, a Igreja Batista Histórica entende que a crença em um reino terreno “milenar” de Cristo após a sua vinda, não se constitui, por si só, motivo bastante para inviabilizar que uma pessoa dela seja membro.

O entendimento do sábado cristão na Confissão de 1689 diverge do parecer de muitos dentro da tradição reformada (como Agostinho e os reformadores Lutero e Calvino) e encontra oposição em várias outras confissões importantes na tradição reformada, entre elas a Segunda Confissão Helvética, a Confissão de Augsburgo e a Confissão de Fé Batista de 1644. Nesse ponto em particular, importa declarar que desde a sua organização até o presente momento, não houve entre os membros desta Igreja um membro sequer que tenha sido de persuasão sabatariana. Tem sido a convicção dos membros desta Igreja que o domingo é o Dia do Senhor, mas que esse dia não é um dia de descanso obrigatório, nos termos do sábado no Velho Testamento, e, sim, um dia especial para o culto público da comunidade em celebração da ressurreição de Cristo. Ao invés da guarda do sábado ter sido transferida para o domingo, temos crido que o sábado em si é um aspecto cerimonial da Lei que deixou de vigorar com a instituição da Nova Aliança. Estamos persuadidos que os argumentos bíblicos e históricos a favor de nossa posição são irrefutáveis, e referimos o livro Do Shabbath para o dia do Senhor (Editora Cultura Cristã, 2007) como uma exposição detalhada de nosso ponto de vista a este respeito.

Portanto, embora seja perfeitamente aceitável que pessoas de persuasão sabatariana venham a se tornar membros da Igreja, o discordar da Confissão de Fé nesse ponto de forma alguma deverá se tornar motivo de censura para algum membro. Na verdade, tem sido a prática dos membros desta Igreja, desde sua formação, dissuadir da crença em um dia obrigatório de guarda no período da Nova Aliança e isso deve ser levado em conta onde se lê “às doutrinas originais adotadas pela Igreja” no artigo do estatuto abaixo:

Art. 38o – Em caso de cisão ou eminência de cisão por motivo de ordem doutrinária, o patrimônio total da Associação ficará com o grupo que permanecer fiel às doutrinas originais adotadas pela Igreja, nos termos deste Estatuto, qualquer que seja o número de seus componentes. No caso de cisão não sendo por questão doutrinária, o patrimônio caberá à maioria vitoriosa no pleito.

Diante destes fatos consideramos justo admitir como membros da Igreja aqueles que subscrevem à Confissão de Fé Batista de 1689 integralmente, assim como aqueles que a ela subscrevem com ressalva nos seguintes artigos não essenciais:

22:7. Por instituição divina, é uma lei universal da natureza que uma proporção de tempo seja separada para a adoração a Deus. Por isso, em sua Palavra – através de um mandamento explícito, perpétuo e moral, válido para todos os homens, em todas as eras – Deus determinou que um dia em cada sete lhe seja santificado, como dia de descanso. Desde o começo do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia era o último da semana; e, desde a ressurreição de Cristo, foi mudado para o primeiro dia da semana, que é chamado “Dia do Senhor”. A guarda desse dia como sábado cristão deve continuar até o fim do mundo, pois foi abolida a observância do último dia da semana.

 22:8 O dia do descanso é santificado ao Senhor quando os homens preparam devidamente os seus corações para esse dia e põe em ordem os seus afazeres corriqueiros, de antemão; quando não apenas obedecem a um descanso consagrado, durante o dia todo, de seus próprios trabalhos, palavras e pensamentos, concernentes a ocupações seculares e recreações, mas também ocupam o tempo todo em exercício de adoração a Deus, seja em particular ou em público, e deveres de necessidade e de misericórdia.

O sentido declarado destes artigos é que cristãos no período da Nova Aliança devem observar o domingo como dia de guarda em obediência ao mandamento que no Velho Testamento se aplicava ao sétimo dia. Admite-se que os membros discordem deste artigo, sendo exigido tão somente manter que é uma lei universal da natureza que uma proporção de tempo seja separada para a adoração a Deus, que foi abolida a observância do último dia da semana, que desde os dias apostólicos o primeiro dia da semana é chamado “Dia do Senhor” em comemoração da ressurreição de Cristo e que até o fim do mundo os cristãos devem se congregar no domingo como o dia especial de adoração pública a Deus.

26:4. …O papa de Roma não pode, em qualquer sentido, ser o cabeça da Igreja; ele é o anticristo, o homem da iniqüidade e filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra Cristo e contra tudo que se chama Deus, a ponto de assentar- se no santuário de Deus, como se fosse o próprio Deus. O Senhor Jesus o matará com o sopro da sua boca.

O sentido declarado deste artigo é que o papado Católico Romano constitui o cumprimento da profecia bíblica do anticristo (1 Jo. 2:18) bem como do homem da iniqüidade (2 Ts. 2:2-9). Admite-se ressalva neste artigo desde que seja mantido que o papa de Roma não pode, em qualquer sentido, ser o cabeça da Igreja, e que ele é, no mínimo, um anticristo, senão o anticristo.

8:4. … Ele (Jesus) está assentado à direita de seu Pai, como intercessor, e voltará para julgar homens e anjos, no fim do mundo.

31:2. No último dia, os santos que estiverem vivos não morrerão, mas serão transformados. Todos os mortos serão ressuscitados com os seus mesmos corpos, e não outros…

O Juízo Final

32:1. Deus determinou um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de Jesus Cristo. A Ele todo poder e todo julgamento foram conferidos pelo Pai. Nesse dia, não somente os anjos apóstatas serão julgados; também as pessoas que viveram sobre a terra, todas comparecerão perante o tribunal de Cristo, e para prestar conta de seus pensamentos, palavras e ações, para receberem segundo o bem ou o mal que tiverem feito por meio do corpo.

32:2. …Naquele dia os justos irão para a vida eterna na presença do Senhor e receberão como galardão eterno uma plenitude de alegria e glória. Mas os perversos, que não conhecem a Deus e não obedecem ao evangelho de Jesus Cristo, serão lançados aos tormentos eternos e punidos com eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder.

O sentido declarado destes artigos é que a volta de Cristo será no fim do mundo, que neste último dia todos os mortos (tanto justos como injustos) ressuscitarão, que neste dia é que todos (tanto justos, injustos e anjos apóstatas) serão julgados e que este dia será seguido do estado eterno. Embora endossamos esse ponto de vista e encorajamos os cristãos que dele divergem a considerar sua fundamentação escriturística, admite-se ressalva neste artigo, desde que seja mantido que Cristo voltará pessoal e fisicamente ao mundo como juiz, que todos os mortos ressuscitarão (ainda que não no mesmo dia), que todos (tanto justos, injustos e anjos apóstatas) serão julgados por Cristo (ainda que não no mesmo dia), e que no dia do Juízo Final os justos irão para a vida eterna, mas os perversos serão lançados aos tormentos eternos.

Explicação:

10:3. As crianças que morrem na infância, se eleitas, são regeneradas e salvas por Cristo, através do Espírito, que obra quando, onde e como lhe agrada. Do mesmo modo são salvas todas as outras pessoas incapazes de serem chamadas exteriormente, pelo ministério da Palavra.

Deste texto, não se entende necessariamente que há infantes que perecem. A posição historicamente predominante entre os reformados tem sido que são salvos todos os que falecem na infância ou sem terem atingido capacidade de serem chamados pela pregação do evangelho. Tal convicção não apresenta conflito com o artigo da Confissão de Fé acima e não deve ser motivo de ressalva. O que se requer aqui é crer que todos que são recebidos na glória eterna são do número dos eleitos, quer sejam chamados exteriormente pela pregação do evangelho, quer morram sem terem atingido capacidade de serem chamados por esse método. Também se requer crer que todos os eleitos são pecadores por natureza e, portanto, precisam da regeneração.